Olhar-se no espelho, Olhar-se, olhar-se novamente.
Quem és tu?
- Sou poço de livre árbitro, livre escolha, sou coisa pouca que se camufla em muita, desilusões, sentimentos, vivacidade, não-sentimentos, frieza, absurdos, nudez, antipatia, zelo, desleixo, crença, suor. Sou pássaro que vai só.
O que queres?
- Nada, o tipo de nada que ninguém pode dar, por que é nada de tudo. É nada subentendido, camuflado. É o nada, que diz: Eu preciso de você, ou de qualquer outro, mas eu preciso de alguém que suporte minha agressividade, minha sensibilidade... Sensibilidade, eis a palavra.
Sensível demais, por mais que não pareça, é. Sensível a sentimentos e sensações. É eu sei... Durona, auto- flageladora, abnegativa, pessimista, mas tudo isso é um convite, é tudo um turbilhão de sentimentos, sintetizados em um mísero e menos cansativo: Nada, é nada, eu não quero, nada mais que nada. Sou nada, és nada, então eu quero nada.
O que pensas?!
- Penso no que verdadeiramente importa pensar, penso em quantas borboletas existem no mundo, penso em como os pássaros são sortudos, penso em como às vezes eu sou irritante de propósito e quantas vezes eu me faço feliz pelo simples fato de ter acordado, penso se existe realmente alguém que consiga me suportar, penso em como as pessoas se iludem com o inexistente amor, em como jogam suas vidas fora, em como se jogam fora, em como eu me jogo fora todas as vezes que não entro nos corredores escuros que a vida me dá, passo direto. Mas o que me interessa mesmo são as borboletas e os pássaros.
Sentes?
-Não parece, mas sinto. E mesmo com todo o roxo, azul e cinza espalhados pela minha tela, eu sinto, todos os dias. Alias que não sente? Nem o mais frio dos seres-humanos, e como ainda humana, eu sinto. Numa proporção não muito proporcional mais sinto, são cem lapsos de tristeza, angústia e desamor para cinco lapsos de alegria e prazer, mas quer saber? Esses me agradam, ser feliz de mais é chato. E eu me dou bem com a dor, ela já me é companheira e já não é má idéia tê-la como cobertor, ela é fria, mas se sabe que saindo dela, ou é para melhor, ou para morte. Expectativas, é o que sinto, vivo expectativas.
És feliz?
-Como todo o ser humano, eu não sou feliz, eu fico feliz, e isso é diferente. Tenho meus cinzas e meus vermelhos, logo sou normal, talvez esteja bem no meio da alegria e tristeza. Talvez seja uma quase-feliz e um quase-triste. E era para ser fácil como escrever, tirar o quase e eu era feliz, mais nesse quase tem tanto tudo, que é melhor deixá-lo por aí.
Pisca-se duas vezes a imagem se turva e se esclarece e olha lá!
Sou eu, emoldurada num vidro frio, sou eu lá no espelho, sorrindo gélida para mim, eu, que sinto e como mais um, não me deixo abater pelas imperfeições que ele me aponta , falo de coisas internas, como olheiras, rugas no meio da testa, sorriso forçado, essas coisas, não estou falando de seios, nádegas e fios.
E como todos os dias, visto meu sorriso e vamos viver a vida, afinal, eu só tenho essa. E ela é curta e gosta de surpreender.
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